Recife: a Veneza brasileira, brilhante e com muita história
25/10/2022
11min
Terra do frevo e do maracatu, rica em manifestações folclóricas, fundada às margens dos rios Capibaribe e Beberibe e junto ao mar do Nordeste, com suas praias paradisíacas. Recife é uma das mais lindas, animadas e importantes capitais do Brasil. Conheça aqui um pouco dessa história que remonta a 1537 e é plena de tradições e lugares para se celebrar a brasilidade.
Embora haja ainda uma controvérsia histórica, os pernambucanos e alguns historiadores garantem que Recife foi a primeira capital estadual do Brasil. Ela foi fundada em 12 de março de 1937, dois anos depois de Olinda e pelo menos 12 antes de Salvador, que, após fundada em 1949, foi a primeira capital do Brasil. A verdade é que a cidade comemorou, neste ano, 483 anos de vida, o que, controvérsias à parte, é uma história incontestável sob qualquer ponto de vista.
À terra que antes era habitada apenas pelos índios Tapuias e depois Tupis, Recife foi fundada junto a uma colônia de pescadores. Especificamente pelo português Duarte Coelho, que havia recebido um ano antes — do rei Dom João III, de Portugal — a doação da Capitania de Pernambuco — a mais rica do Brasil Colônia — e, em carta, se referiu ao lugar como a frota “Ribeira do Mar das Arrecifes dos Navios”.
Um pouco sobre Maurício de Nassau
No século XVII, durante a ocupação holandesa no Brasil — entre os anos de 1630 e 1654 —, Recife foi sede da colônia de Nova Holanda. Teve como um de seus administradores o célebre Maurício de Nassau, que promoveu inúmeras ações para o desenvolvimento da colônia, buscando recuperar a economia local e estabelecendo normas. Para a melhoria da qualidade de vida, além de incentivar a vinda de grandes arquitetos, paisagistas, cientistas e artistas europeus para o Brasil.
Contam os historiadores que, durante seu governo, Recife foi a cidade mais cosmopolita da América do Sul. É desse período o novo traçado da cidade, projetado pelo arquiteto alemão Pieter Post, que também construiu o palácio de Freeburg (então sede do governo) e o prédio do observatório econômico, tido como “o primeiro do Novo Mundo”.
Nessa época também foi criado o primeiro Jardim Botânico do país sendo edificados prédios públicos, escolas, estradas e a primeira ponte de grande porte no Brasil, a ponte Maurício de Nassau, inaugurada em 1643, com 180m de comprimento e até hoje existente. A construção atual é de 1917.
Falando na ponte Nassau é justamente do fato de Recife ser banhada não apenas pelo mar, como pelos rios Capibaribe e Beberibe — e ter várias pontes — é que ela recebeu o apelido de “Veneza brasileira”. Até que, em 1654, os holandeses são expulsos do Brasil e os portugueses retomam o comando da cidade.
Recife, uma das cidades mais influentes no início do século XX
Após ter enfrentado revoltas e revoluções como a Revolução Pernambucana (1817) e ter sido a capital da primeira província brasileira a se separar de Portugal (1821), Recife chegou ao início do século XX como uma cidade muito influente, que só perdia em importância político-econômica para o Rio de Janeiro.
Inicia-se então um novo período de agitação cultural, e a Belle Époque — os recifenses tinham até meados do século uma forte influência cultural francesa — mostrou a busca de novas linguagens para traduzir as mudanças trazidas pelas novas técnicas. Na mesma época, Recife reformou seu porto e construiu largas avenidas.
Em 1934, o conhecido paisagista Burle Marx projetou no Recife os seus primeiros jardins públicos. Assim, a cidade cresceu. No Censo de 1970, Recife foi a quarta cidade brasileira a atingir um milhão de habitantes, após São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A Casa de Cultura de Recife foi criada em 1976, com a reforma da antiga Casa de Detenção
Alguns pontos turísticos de Recife
Voltando a Recife, você pode começar seu passeio justamente pelo início. A Praça do Marco Zero, local, junto ao porto, onde a cidade nasceu, é linda, com seu piso colorido e prédios antigos e aberta ao público. Depois, já fique por ali para conhecer também o Centro de Artesanato de Pernambuco, com toda a riqueza das manifestações culturais e folclóricas do Nordeste e o melhor: entrada gratuita.
São quase mil artesãos, que tornarão irresistível sua vontade de levar presentes para a família. Ainda falando em artesanato, não deixe também de conhecer a tradicional Casa de Cultura de Recife, criada em 1976 a partir da reforma da antiga casa de detenção da cidade.
As lojas funcionam onde eram as celas dos presos. O estoque de artesanatos em Recife, é enorme, nunca falta. A pequena feira de Boa Viagem, na praça do bairro, funciona diariamente das 15h às 22h. Possui literalmente de tudo, do couro ao bordado, da madeira à cerâmica, da moda às artes plásticas.
Além de cenários públicos e históricos como a Rua do Bom Jesus, a Praça do Arsenal, o Palácio do Campo das Princesas, a Torre Malakoff, a Rua da Aurora e o Parque de Esculturas de Francisco Brennand, entre outros, a cidade é pródiga em igrejas e museus. Não deixe de conhecer a Capela Dourada a Madre de Deus, a de N.a Sra da Boa Viagem, a Basílica e Convento N.a Sr.a do Carmo e a de São Pedro dos Clérigos.
Vale a pena também conhecer a sinagoga Kahal Zur, que foi a primeira na América do Sul e hoje abriga o Centro Judaico. Outro exemplo de arquitetura que merece ser visitado é o Teatro de Santa Isabel. Foi o primeiro no país projetado por um engenheiro e já recebeu visitas ilustres como Dom Pedro II, Joaquim Nabuco e Castro Alves.
Mais pontos para você conhecer
Entre os museus, o maior destaque é, sem dúvida, o Instituto Ricardo Brennand, que além de um enorme acervo histórico e artístico, possui também uma pinacoteca, biblioteca, jardins com esculturas e uma galeria de arte. Vale visitar também o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães.
Entretanto, não deixe de conhecer o Museu da Cidade do Recife, instalado em 1982 e que é um importante espaço de história e cultura brasileiras, com um acervo voltado para a preservação da história urbana, artística e social da cidade.
Igualmente imperdível é o Museu Cais do Sertão, eleito, em 2015, um dos melhores museus da América Latina e que, interativo, tem como temas o sertão e Luiz Gonzaga, e que possui um impressionante acervo. Conhecer Recife ainda implica fazer visitas ao Jardim Botânico e ao Shopping Paço Alfândega, que tem 80 lojas, fica à beira do rio Capibaribe e é patrimônio histórico nacional. Além, obviamente, de dar uma esticada até Olinda e seu patrimônio histórico e cultural, que fica a menos de 10 minutos de carro.
Noite em Recife
Finalmente, também não saia de Recife sem conhecer sua noite. Comece pelos Armazéns do Porto, um conjunto gastronômico com diferentes restaurantes e quiosques onde você encontra frutos-do-mar, tapioca, carnes, comida japonesa, açaí e muito mais.
Se preferir, conheça o Largo da Santa Cruz, no bairro de Boa Vista, onde estão espaços culturais com apresentações musicais, bares e restaurantes já clássicos na noite de Recife. Como a Cachaçaria do Largo, o Cabaret Comedoria, o Lisbela e os Prisioneiros. Também são atrações noturnas em Recife a Galeria Joana D´Arc, a Garage Food Trucks, um espaço bem familiar, com cerca de 10 opções de lanches, e, ainda, restaurantes e botecos super ativos como Burburinho, Biruta Bar, UK Pub e Barchef. Aproveite!
Água de coco, tapioca e mais passeios
Pernambucano nascido na Capital e atual gerente da loja do Atacadão em Boa Viagem, Diego Beltrão “conhece bem a aldeia”. Ele diz que entre as atrações imperdíveis para quem vem a Recife estão, além das já mencionadas na reportagem, “dar uma caminhada no calçadão de Boa Viagem, tomando uma água de coco; fazer um passeio de catamarã pelo rio Capibaribe ou comer tapioca no alto da Sé, em Olinda”.
À noite, completa Diego, “as atrações são muitas e para todos os gostos. No píer, junto ao Marco Zero, tem, por exemplo, o tradicional Downtown Pub, com rock de primeira qualidade e sempre com muitos shows, e que abre a partir das 19 horas.
Para o jantar, indico o Quintal do Picuí, no bairro de Setúbal, que se orgulha de ter a ‘melhor carne de sol do mundo’, e o Entre Amigos do Bode, em Boa Viagem, com incríveis pratos de frutos-do-mar”.
DIEGO FEITOSA BRANDÃO
GERENTE DA LOJA DO ATACADÃO
RECIFE — BOA VIAGEM
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