Cerveja o mundo todo adora!

27/07/2022

9min

cerveja o mundo todo adora

A receita mais antiga de como fazer cerveja (a terceira bebida mais consumida no mundo, atrás apenas do chá e do café) data de cerca de 5.500 anos e foi escrita na Mesopotâmia. Os ingredientes básicos continuam os mesmos: água, malte, lúpulo e levedura. As opções hoje são infinitas. Saiba aqui como são feitas as cervejas.

Existem várias versões para a origem da cerveja, mas não é um exagero dizer que ela remonta à origem da própria civilização. Alguns historiadores chegam a referir até 8.000 a.C. Entretanto, uma das teses mais aceitas conta que escavações feitas em uma região onde hoje é o Irã localizaram um vaso cerâmico de aproximadamente 5.550 anos, com resquícios de oxalato de cálcio, que é “assinatura química da produção de cerveja”. A descoberta é considerada a primeira evidência química de fabricação de cerveja a partir da cevada. 

Já os primeiros registros que mencionam a cerveja (escritos em cerâmica) foram encontrados na Suméria, civilização da Mesopotâmia, onde hoje estão Iraque e Kuwait. Dali sua fabricação teria se difundido até o Egito, a cerca de 1.400 km de distância.

A propósito, uma das maiores curiosidades a respeito dos primórdios da cerveja é o fato de ela servir então como alimento ou até mesmo remédio. No Egito, a cerveja se tornou a bebida básica em todos os níveis, do Faraó aos camponeses. Os mortos eram enterrados com suprimentos de cerveja. Os parentes dos nobres mortos levavam ofertas de cerveja aos santuários em seus túmulos. 

Ou seja, à época – algo que duraria por muitos séculos – aquela bebida fermentada a partir de cereais era uma fonte básica da dieta da humanidade, assim como pão e leite. Para se ter uma ideia, os egípcios pagavam aos trabalhadores que construíram as famosas pirâmides uma dose diária de cerveja (é preciso considerar que ela era feita de uma forma diferente, tendo um teor alcoólico mais brando do que a maioria de hoje). 

A cerveja nasceu com a Civilização. No entanto, até a Revolução Industrial (por volta de 1760) seu processo de fabricação sempre foi algo meio místico, como um presente dos deuses.

A verdade é que até a Revolução Industrial (por volta de 1760), o processo da fabricação de cerveja sempre foi algo meio místico. A fermentação era espontânea e não havia o conhecimento microbiológico que temos hoje. Logo, a cerveja e o pão (igualmente fermentado) carregavam juntos uma aura mágica, como que um produto gerado pelos deuses.

Para os egípcios, ela era um presente do deus Osíris, e a ela era atribuído um poder medicinal. 

Na Idade Média, o lúpulo passou a ser um dos ingredientes mais importantes nas receitas de cerveja. Além disso, além de mel, tâmaras e gergelim que já eram utilizados, outras especiarias, como ervas, raízes, gengibre e anis, também foram acrescentadas para criar diferentes tipos da bebida.

Outro fato curioso é que existem evidências de que os europeus podem ter inventado a cerveja de forma independente, há cerca de 3.500 anos. Foi justamente a receita europeia que acabou prevalecendo, tendo, como base, o malte de cevada ou trigo, o lúpulo e a água, muito em função do papel fundamental que aqui tiveram as dezenas de mosteiros no continente. (O primeiro registro do uso do lúpulo na cerveja está em uma lista de regras para monges, escrita em 822, no Mosteiro de São Pedro e São Estevão, Norte da França.) 

Um pouco mais adiante, a partir do final dos anos 1000, cervejeiros comerciais começaram a se instalar em cidades onde hoje é a Bélgica.

Mas a grande e verdadeira revolução no processo de fabricação cervejeira se deu com o famoso Reinheitsgebot (do alemão: Reinheit, pureza + gebot, ordem). Emitido pela primeira vez em 1487, em Munique, era um regulamento que permitia apenas cevada, lúpulo e água na fabricação da cerveja. Em 1516, a regra foi estendida a toda a Baviera e passou a ser referência.

Mais tarde, o regulamento foi modificado (com inclusão da levedura) e manteve-se em vigor até 1987, quando então foi anulado pela União Europeia. Mesmo assim, até hoje, influencia as práticas de produção de cerveja em todo o mundo. 

Ou seja, basicamente, a cerveja é feita de água, malte, lúpulo e levedura, embora, como já nos ensinou a Antiguidade, outros ingredientes possam ser acrescentados na formulação, principalmente nos tempos de hoje, com a proliferação das chamadas cervejas artesanais.

A água é mais de 90% da cerveja e deve ser de boa qualidade, filtrada, sem cloro e com Ph entre 5,2 e 5.5.

O malte não nasce pronto. Comumente originário da cevada (embora seja possível ser realizado com trigo, aveia e centeio e outros cereais), ele precisa passar por um processo que provoca a germinação que aconteceria normalmente na natureza, mas agora controlada com temperatura ideal. Após chegar ao ponto certo para a liberação das enzimas, o processo é interrompido e o malte é secado.  Aí, em forma de pequeno grãozinho, se torna a alma da cerveja. 

Além de produzir o sabor adocicado, o malte é responsável por definir cor e corpo da bebida. Para a produção de diferentes tipos de malte é necessário não só secar o grão, como tostá-lo ou torrá-lo, de acordo com as características que são buscadas. Isso resulta em maltes de diferentes cores, aromas e sabores, que podem ser usados para cervejas de estilos como Vienna Lager, Red Ale, Pale Ale, IPA, Stout, entre outros. 

Essas torras podem dar características sensoriais que lembram café, cacau, chocolate, caramelo, entre outras.)

Também indispensável na fabricação de uma cerveja, o lúpulo, uma plantinha, é responsável pelo aroma e amargor da cerveja (a curiosidade é que apenas as flores femininas da planta podem ser utilizadas na produção de cerveja – elas são ricas em lupulina, uma substância resinosa essencial para os aromas e amargor da cerveja). Existem diferentes tipos de lúpulo e eles são classificados como lúpulos aromáticos, lúpulos de amargor ou lúpulos híbridos, que apresentam essas características em equilíbrio.

Finalmente, há ainda a ação do fermento (levedura), ingrediente que só foi descoberto no século 20 e que também altera as características do produto final. São micro-organismos vivos (fungos) responsáveis por toda a magia! Alguns cervejeiros afirmam que não fazem cerveja, apenas preparam o ambiente para que a levedura trabalhe. É  mais ou menos o que acontece. Após todo o processo de produção, a levedura é adicionada a baldes fermentadores e consumirá o açúcar disponível para transformar em gás carbônico e álcool. Além disso, contribuem com perfis do aroma, graças aos ésteres que produzem. 

Em síntese, é assim que se faz cerveja.  Começa com o preparo do mosto, a chamada brassagem (moagem do malte, mistura com água, filtragem, fervura e resfriamento). Segue com a Fermentação (adição da levedura, que deve ser feita em ambiente sem luz e com temperatura controlada e que leva de uma a duas semanas, dependendo do estilo da cerveja e da levedura utilizada). 

Termina com a Maturação (tempo necessário e importante para que ocorram alguns “ajustes” naturais no aspecto visual, nos aromas e sabores da cerveja). 

Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, o Brasil já é hoje o terceiro maior fabricante mundial, com 13,3 bilhões de litros produzidos, atrás, somente, da China (46 bilhões) e dos Estados Unidos (22,1 bilhões). Saúde!

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