Vinho: o néctar que vem da uva

26/02/2022

7min

O vinho é uma bebida milenar, considerada a primeira bebida alcoólica produzida pela humanidade. Existem várias lendas e versões sobre como ele poderia ter sido “inventado”, ou melhor, produzido pela primeira vez.

A mais aceita pelos historiadores diz que o vinho teria surgido “de forma acidental”, no Irã, quando uma mulher resolveu se suicidar e foi à despensa do Palácio, onde ingeriu um líquido assinalado como veneno, resultado da fermentação de um punhado de uvas esquecidas em um recipiente.

Após tomá-lo, ela teria se sentido animada e ido até o rei, Jamshid, contar a história. O rei provou o líquido, gostou e mandou que todas as uvas cultivadas na cidade de Persépolis, dali por diante, fossem usadas na produção daquele líquido milagroso.

Lendas à parte, a verdade é que a produção efetiva de vinho só se tornou possível quando o povo nômade na antiga Europa fixou residência. 

Inicialmente, o vinho era feito de forma muito rústica, a partir do esmagamento das uvas, feitas pelos próprios pés dos produtores em velhas tinas. Hoje em dia, os modos artesanais ficaram para trás e o processo de fabricação de vinhos no mundo inteiro, e no Brasil, é muito moderno, o que garante a qualidade dos produtos que chegam à sua mesa.

O Brasil é o 5° maior produtor de vinhos no Hemisfério Sul

Embora existam outras regiões onde são fabricados vinhos no Brasil, como São Paulo, Pernambuco, Bahia e Paraná, o Rio Grande do Sul ainda é o grande produtor nacional, responsável por 62,4% dos cerca de 82 mil hectares de videiras plantados no país, segundo a Organização Mundial do Vinho.

Hoje, o Brasil é o 5o maior produtor de vinhos de todo o Hemisfério Sul. Por aqui, existem cerca de 1.100 vinícolas —  670 delas no Rio Grande do Sul.

Do total produzido no Brasil, cerca de 50% são destinados ao consumo direto e os outros 50%, então, ao processamento para elaboração de sucos, vinhos, espumantes e outras bebidas.

Para o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Daniel Salvador, o Rio Grande do Sul, onde ainda são produzidos cerca de 90% do vinho brasileiro, está preparado para uma expansão.

“Como enólogo, posso dizer que vivemos a melhor fase do vinho brasileiro. Foram anos investindo em viticultura e na modernização das vinícolas. A safra 2020, por exemplo, é um marco”, destaca ele, ressaltando as condições climáticas excepcionais e a nova tecnologia utilizada.

Como se faz um vinho?

É claro que tudo começa pela uva, embora nem todas as uvas se destinem ao vinho.

Existem vários tipos de uvas, as chamadas vitis viníferas, que são utilizadas na fabricação de vinhos, tanto para os vinhos tintos quanto para os brancos e espumantes.

A uva para a produção da bebida costuma ser menor, mais doce e ter a casca mais grossa. Na maioria das vinícolas, as frutas são colhidas manualmente, com a ajuda de uma tesoura especial. Nas maiores, a colheita é automatizada, com máquinas que passam por cima das videiras, que são chacoalhadas, fazendo com que as uvas caiam em um reservatório.

Um processo natural e cheio de tecnologia

Depois da colheita, as uvas passam por uma máquina onde são esmagadas: os cabos são separados do mosto (que é como se chama a mistura de polpa, sementes e casca) e o suco começa a fermentar.

Nesse momento, as leveduras presentes nas uvas entram em contato com o açúcar do suco da uva e o transformam em álcool. (Aqui é importante ressaltar uma diferença: para se produzir vinho tinto, o processo de fermentação é feito com a casca das uvas, mas quando se quer produzir o vinho branco, as uvas são prensadas e o suco é separado da casca antes da fermentação).

O processo de fermentação libera também o gás carbônico, que faz o mosto ir para a superfície e se acumular lá. Para que a cor fique homogênea, o líquido que fica embaixo do reservatório é bombeado para cima. Isso se chama remontagem, que é interrompida após quatro dias, quando o mosto é isolado do líquido.

Depois da remontagem, uma espécie de torneira é aberta na parte de baixo do reservatório e a bebida é liberada.

A fermentação é decisiva para o sabor do vinho produzido

Sobre a fermentação, existe uma questão importante: ela pode ser feita em tanques de aço ou de madeira. Vinhos feitos em tanque de aço têm um sabor mais frutado. Já quando a fermentação é feita em barris de madeira — os de carvalho são os melhores — o vinho ganha sabores amadeirados, além de ter intensificada a coloração e o sabor.

A verdade é que existem mil sutilezas na fabricação de um bom vinho, seja ele um vinho do porto ou rosé, cada um tem o seu jeitinho de fazer e cada detalhe da fermentação é importante, pois dela depende toda a qualidade dessa bebida especial.

Depois de pronto, o processo de maturação de um vinho pode durar meses ou até mesmo anos. Cada tipo possui um tempo específico de maturação, de acordo com suas peculiaridades e formas de elaboração, variando as notas amadeiradas do vinho. 

Enfim, o melhor de tudo é que hoje, no Brasil, temos vinhos incríveis. Pegue a sua taça de vinho e vamos brindar: saúde! 

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