Nathalia Arcuri: “Dinheiro não aceita desaforo”

23/08/2021

8min

nathalia-arcuri-dinheiro-nao-aceita-desaforo

Jornalista, Nathalia Arcuri desenvolveu, desde cedo, uma relação muito próxima com o dinheiro, até criar o canal Me Poupe! no YouTube e se transformar numa das mulheres mais influentes na internet brasileira.

Conheça sua história e opiniões nesta entrevista concedida com exclusividade ao Atacadão.

O Me Poupe! faz sucesso com o tema “educação financeira”

Paulista, nascida em Mogi das Cruzes, São Paulo, em uma família de classe média, Nathalia Arcuri formou-se em Jornalismo e começou sua carreira em 2006, como repórter do SBT.

Em 2009, foi contratada pela Rede Record onde atuou até 2015, ano em que pediu demissão para começar a investir no YouTube com seu canal Me Poupe!, originado de um blog que ela havia lançado dois anos antes.

Com especializações em Educação e Planejamento Financeiro e três certificações pela Sociedade Brasileira de Coaching, Nathalia passou, então, a investir em sua carreira como youtuber, buscando orientar as pessoas a lidar melhor com o próprio dinheiro.

Em 2018, Nathalia lançou seu primeiro livro, intitulado “Me Poupe! – 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso”, que logo se transformou em best seller, vendendo, em apenas dois meses, mais de 25 mil exemplares.

Hoje, o Me Poupe! passa de 6 milhões de inscritos e é, claro, uma das youtubers mais influentes do Brasil.

Acompanhe, a seguir, a entrevista concedida ao Atacadão.

Nathalia, consta que a sua relação com o dinheiro e a forma de lidar com ele vem desde muito cedo, desde os 8 anos. Poderia nos dizer por quê?

“Uma amiga da escola me disse que o pai dela tinha feito uma poupança para ela e as irmãs, para que tivessem um carro aos 18 anos. Cheguei em casa e perguntei para os meus pais se eu também tinha uma poupança e eles me deram um belo não, seguido de uma célebre frase do meu pai que me segue até hoje: Cresça e apareça! Naquele momento foi como se uma chave virasse na minha cabeça e eu percebi que precisava juntar meu dinheiro se quisesse ter minhas coisas.”

E a sua trajetória como jornalista? O que te levou a se especializar nessa área? Como nasceu o Me Poupe!?

“Quando me formei em Jornalismo, meu objetivo era ser repórter e apresentadora. E eu consegui isso muito rápido, não foi um caminho fácil, mas cheguei lá. E cuidar do meu dinheiro era uma coisa muito natural para mim, ajudava algumas amigas que pediam, mas até então era só.”

“Até que fiz uma reportagem e vi um dado que me assustou muito e que dizia: ‘a cada 13 segundos uma mulher sofre violência doméstica e em 70% dos casos, a mulher se sujeita a isso por ser dependente financeiramente’. A partir disso, eu decidi que queria ajudar ao menos uma pessoa – por isso criei meu primeiro blog – mas continuava focada em usar a TV para atingir mais pessoas.”

“Foi então que percebi que o Youtube podia ser a plataforma que eu precisava para começar a transformar a vida financeira das pessoas. No começo, trabalhava oito horas na emissora e três horas em casa, para o canal. Eu mesma gravava e editava todos os vídeos. Juntei dinheiro suficiente para pagar um ano de salário, antes de contratar minha primeira funcionária. Consegui o primeiro patrocínio do canal que me pagaria o mesmo que a emissora e então pedi demissão, para poder me dedicar 100% na minha meta. Assim nasceu o Me Poupe!”, conta.

Dinheiro é um negócio que todo mundo quer, mas que não deixa de ser complicado de lidar… Afinal, tem uma receita básica, universal, sobre como lidar com dinheiro?

“Eu sempre digo que o dinheiro não aceita desaforo. Isso significa que, se você não cuidar bem do seu dinheiro hoje, ele não vai cuidar bem de você no futuro”, afirma.

“Eu criei um método que tem ajudado milhares de pessoas a ter mais controle financeiro e a sair das dívidas que é o método 70/30. Isso significa viver o presente com 70% do que se ganha no presente e investir os 30% para as metas e objetivos como aposentadoria, viagens, passeios, estudo dos filhos, etc. Mas, para quem já conseguiu juntar alguma poupança, qual é o melhor investimento? Investir na Bolsa é bom? O melhor investimento não existe.”

“Investir depende de idade, dinheiro disponível (que pode ser a partir de R$30,00), perfil de risco e compreensão do mercado. Não é necessário juntar uma grande quantia para começar a investir. A partir de R$ 30,00 já dá para começar a investir no Tesouro Direto, que tem um rendimento melhor que o da poupança. Sobre a Bolsa, as pessoas precisam estudar muito para dar esse passo. Existem riscos na renda variável e, se não houver um preparo, o risco de perder dinheiro é ainda maior. Mas se você sabe o que está fazendo, a Bolsa de Valores pode ser ótima sim e trazer rendimentos maiores que a renda fixa.”

Mas de que forma essa questão mexe com o espírito empreendedor das pessoas? Avança mais quem investe mais? Ou o negócio é segurar, economizar? Pés no chão ou sonhos no céu?

“Nem uma coisa, nem outra. A palavra de ordem é: planejamento. Planejar é ter metas e desenvolver uma estratégia clara para alcançá-las. O empreendedorismo surge como uma opção viável para quem tem metas audaciosas e poucas opções de crescimento no mercado formal.”

Aliás, muita gente tenta empreender, nem todos conseguem, principalmente começando de baixo. O que é, afinal, ser um empreendedor? Quais qualidades é preciso ter para empreender?

“Muitos empreendedores falham por subestimar os desafios de ter o próprio negócio. Empreender não é sorte. É treino, técnica, perseverança e muito planejamento. Um bom empreendedor aprende a se desenvolver e se permite errar para aprender com os próprios erros.”

Para finalizar, uma pergunta que temos feito a todos os nossos entrevistados: e o Brasil? Como você vê o Brasil de hoje? O Brasil tem jeito?

“O Brasil é um país jovem. Se pensarmos nas grandes potências mundiais, ainda estamos engatinhando. Essa fase que vivemos é como se fosse a adolescência. Passamos pelo período de dependência e agora queremos liberdade a qualquer custo, ainda que isso nos prejudique. Adolescentes são inconsequentes, como tem sido o comportamento político do Brasil.”

“Não focamos na educação como deveríamos, porque para um adolescente, isso não faz sentido. Quando nossos governantes perceberem o preço de não adotar políticas públicas voltadas ao longo prazo, certamente teremos um país melhor. Minha maneira de contribuir positivamente é disponibilizando conteúdo de educação financeira de forma gratuita a toda população. É bom poder fazer a minha parte e deixar um legado positivo ao país”, conclui.

Deixe uma resposta

Página Inicial