Cuiabá: a cidade verde

27/07/2022

11min

Capital do Mato Grosso

Capital do Mato Grosso, fundada pelos bandeirantes em 1719, Cuiabá já foi a capital mais arborizada do Brasil, famosa pelos seus quintais com mangueiras e cajueiros. Embora hoje a arborização urbana tenha diminuído, o apelido de “cidade verde” pegou. Conheça aqui um pouco mais sobre essa encantadora cidade.

Território indígena, ocupado pelos índios bororos, às margens do Rio Cuiabá, a hoje capital do Mato Grosso, embora os primeiros indícios de passagens de bandeirante datem de meados dos anos de 1600, foi oficialmente fundada em abril de 1719, pelos bandeirantes Pascoal Moreira Cabral (que assinou a ata de fundação de forma a garantir os direitos da descoberta à capitania de São Paulo) e Miguel Sutil. O nome seria uma associação do rio com árvores produtoras de “cuias”, significando “rio criador de vasilhas”, onde cuia significa vasilha, e abá, criador.

Em 1723, já estava erguida a igreja matriz dedicada ao Senhor Bom Jesus de Cuiabá, onde hoje é a Catedral. Em 1726, chega à cidade o capitão-general governador da Capitania, Rodrigo César de Menezes, como representante do Reino de Portugal, e em 1o de janeiro de 1727, Cuiabá é então elevada à categoria de vila, com o nome de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Cerca de 90 anos depois, em 1818, se torna cidade e, em 1835, Cuiabá passa a ser a capital da então província do Mato Grosso.

Entretanto, diz a história, nem o fato de ter se transformado em capital trouxe, na ocasião, prosperidade à cidade. Com a Guerra do Paraguai (1864-1870), Mato Grosso foi invadido e várias cidades atacadas. E embora as batalhas não tenham chegado à capital, uma epidemia de varíola trazida pelos soldados que retomaram dos paraguaios o município de Corumbá dizimou cerca de metade dos então cerca de 12 mil habitantes.

Após a guerra, e com o retorno da navegação pelas bacias dos rios Paraguai, Cuiabá e Paraná, o município voltou a crescer, com base na produção da cana-de-açúcar e no extrativismo, mas esse momento não dura muito e a estagnação volta até os anos de 1930.

E foi só a partir da década de 1950 que houve realmente uma explosão de crescimento na região, não apenas pela iminente transferência da capital do país para Brasília, mas motivado por programas de povoamento do interior do país, que atraíram levas de migrantes. Entre as décadas de 1970 e 1980 Cuiabá cresce muito e se moderniza, principalmente em função da expansão do agronegócio no estado. E a partir dos anos de 1990, também o turismo é incrementado e a capital passa a ser vista como um dos destinos atraentes no Centro-Oeste brasileiro, muito também em função da proximidade com o Pantanal (apenas 114 km, ou pouco mais de uma hora e meia de carro até a cidade de Poconé).

A propósito, em termos geográficos, Cuiabá é o chamado Centro Geodésio (ou ponto central) da América do Sul e está cercada por três grandes biomas: a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal; próxima da Chapada dos Guimarães é considerada a porta de entrada da floresta amazônica. A vegetação predominante no município é a do cerrado, com seus arbustos característicos, matas densas à beira dos rios e um clima tropical e úmido, com chuvas entre outubro e abril e temperaturas quentes, que oscilam na média anual de 26oC, mas podem chegar aos 40oC nos meses mais quentes (o recorde histórico se deu em 30 de setembro do ano passado, quando os termômetros da cidade marcaram 44oC.

Hoje, Cuiabá tem cerca de 625 mil habitantes e sua economia está concentrada no comércio e na indústria, sendo este setor representado, basicamente, pela agroindústria. Muitas indústrias, principalmente aquelas que devem ser mantidas longe das áreas populosas, estão instaladas no Distrito Industrial de Cuiabá, criado em 1978. Na agricultura, cultivam-se lavouras de subsistência e hortifrutigranjeiros. 

Atrações

Em função da já mencionada proximidade com o Pantanal e a Chapada dos Guimarães e pelo fato de ser uma cidade com mais de 300 anos, com um patrimônio histórico importante, Cuiabá é uma cidade pródiga em atrações turísticas.

Sua arquitetura urbana é tipicamente colonial e seu Centro foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e pelo Ministério da Cultura, como patrimônio histórico nacional. Nele, se destacam, restaurados, as igrejas do Rosário e São Benedito, do Bom Despacho e do Nosso Senhor dos Passos, o Palácio da Instrução (hoje museu histórico e biblioteca), o antigo Arsenal da Guerra (hoje centro cultural mantido pelo SESC), o mercado de peixes (atualmente Museu do Rio Cuiabá) e um sobrado onde hoje funciona o Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (o MISC).

A igreja do Rosário e de São Benedito, localizada na Praça do Rosário, com uma única nave e paredes desprovidas de adornos, é um dos marcos de fundação da cidade, tendo sido construída em torno de 1730. E é palco, anualmente, da chamada “Lavagem do Rosário”, tradicional evento de costume afro cultural que promove a lavagem das escadarias da igreja, como “um ato de fé e liberdade”.

A arquitetura urbana é tipicamente colonial e o Centro foi tombado como Patrimônio Histórico

Outra atração que deve ser obrigatoriamente visitada é a Orla do Porto, um conjunto restaurado de casarões coloniais coloridos, que se estende ao longo de 1,3 km às margens do rio Cuiabá (finalizando na praça onde fica o Museu do Rio) e onde se concentram várias opções culturais e de diversão e lazer, que vão desde feirinhas de artesanato e alternativas gastronômicas até a realização de grandes concertos e espetáculos.

Também junto ao porto, é imperiosa uma visita ao mercado municipal da cidade, que tem 117 anos de existência e para onde acorrem moradores e turistas em busca de uma infinidade de produtos frescos e regionais, como peixes, carnes, hortifrútis, doces típicos e queijos.

Como uma cidade junto à natureza, Cuiabá também tem vários parques que merecem ser visitados.  

Entre eles estão o novo parque Mãe Bonifácia (inaugurado em dezembro de 2000), que fica junto a uma das avenidas principais de Cuiabá, tem 77 hectares e conta com trilhas para caminhadas, além de áreas recreativas de esportes e um mirante, onde, por um elevador, se chega a 12,30 metros de altura e se tem uma vista privilegiada de toda a região.

Outros parques bastante conhecidos na cidade são o Tia Nair e o Parque das Águas “Seo Fiote”. O Tia Nair é um parque completo, com um lindo lago e que fica aberto até as 22 horas, com um sistema de iluminação que deixa o espaço ainda mais encantador. E o das Águas, público e aberto 24 horas, tem 27 hectares e fica próximo ao Centro Político-Administrativo de Cuiabá. É um parque que, além de pista de caminhadas e ciclovias, tem dois atrativos peculiares: o Splash Zone, um túnel que conta com uma sequência de jatos de água, e o surpreendente Balé das Águas, uma estrutura de aço inoxidável colocada no meio da Lagoa Paiaguás, onde acontece, todos os dias à noite, um espetáculo, de 30 minutos, com luzes, música e jatos d´água. 

Além deles, há pelo menos outros dez parques – todos com características bem peculiares – que podem ser visitados na Grande Cuiabá.

A capital também é pródiga em museus. Se você permanecer uns dias a mais na cidade, pode conhecer os museus de Arte Sacra e História Natural do Mato Grosso, o Museu do Morro da Caixa d’Água Velha, o já citado Museu da Imagem e do Som e o Museu Rondon de Etnologia e Arqueologia, entre outros.

Vá ao Pantanal

Paulista de nascimento, um dos gerentes de loja do Atacadão em Cuiabá (Porto), Leandro mudou-se aos 4 anos para Cuiabá. Ou seja, já é da terra. Trabalhando há 28 anos na empresa (16 dos quais “rodados” pelo Brasil afora), ele está de novo no Mato Grosso e nos dá duas dicas muito bacanas para quem for a Cuiabá:

“Óbvio que a primeira sugestão que eu faço é que as pessoas conheçam o Pantanal. Quem nunca veio, não tem ideia do que é a estrutura de turismo em Poconé, porta de entrada do ecossistema. Temos pousadas e hotéis maravilhosos (como o Santa Rosa), que oferecem o que há de melhor em termos de ecoturismo. 

É incrível o passeio de barco, onde as onças se aproximam para ganhar um peixe. Não deixe de ir, o Pantanal fica a apenas pouco mais de 100 km de Cuiabá.

Já aqui na cidade recomendo a Lelis Peixaria, onde você pode comer um sensacional rodízio de peixes de água doce (Pacu, Pintado, Pirarucu, Tucunaré, etc.) feitos na brasa e servidos no espeto. Algo simplesmente imperdível”!

LEANDRO DA SILVA

GERENTE DA LOJA DO ATACADÃO CUIABÁ PORTO

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