Centro-Oeste: uma região que produz e é feliz

06/08/2021

12min

Formada pelos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além do Distrito Federal, a região Centro-Oeste do Brasil tem uma extensão equivalente a 19% de todo o território nacional e pode ser definida, em uma só palavra: produtora. Tanto no que diz respeito à pecuária, como na agricultura. 

Números divulgados pelo IBGE mostram que o Centro-Oeste participa com mais de um terço do abate de bovinos do País. O Mato Grosso é o maior produtor nacional (com cerca de 30 milhões de cabeças), Goiás o terceiro (21,8 milhões) e o Mato Grosso do Sul, o quarto (21,3 milhões).

E quando se fala em grãos, o cenário não muda. Segundo dados divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a região lidera também a produção agrícola brasileira, com mais de 100 milhões de toneladas de grãos, com destaque para a soja e o milho como suas principais culturas.

Além de soja e milho, a região também é produtora de arroz, algodão, café, amendoim, entre outros produtos. Embora seja a única região brasileira não banhada pelo mar, o Centro-Oeste é hoje também, graças a seus grandes rios, um dos maiores produtores nacionais de pescado. São 120 mil toneladas por ano. 

No que diz respeito à população, com seus 15,8 milhões de habitantes, é a segunda região do país com menor densidade habitacional. Porém, todas as capitais da Região Centro-Oeste estão entre as 20 maiores cidades do Brasil.

Um pouco da cultura da Região Centro-Oeste

O Centro-Oeste formou sua população com migrantes vindos de todas as demais regiões do país, caracterizando-se assim pela heterogeneidade humana, marcada pela diversidade de povos.

Os tipos humanos característicos são o vaqueiro do Pantanal, o boiadeiro de Goiás, os peões das fazendas de gado, os garimpeiros e, claro, os índios. Todos esses grupos definem a cultura da Região Centro-Oeste, caracterizada pelo contato direto com a terra e com a natureza. 

A influência nordestina também é forte por lá, principalmente no Distrito Federal — quando trabalhadores nordestinos chegaram na região para dar início à construção de Brasília.

Clima da Região Centro-Oeste

Predominante em, praticamente, todos os estados, o chamado clima tropical é o típico clima da Região Centro-Oeste. O semiúmido ocasiona duas estações bem definidas: um verão chuvoso, que vai de março a outubro, e um chamado inverno seco, entre abril e setembro. 

As temperaturas podem variar entre 40ºC nos meses mais quentes e cerca de 15ºC nos meses mais frios. A umidade relativa do ar é baixa, deixando o ar da região bastante seco.

Características da Região Centro-Oeste

Algumas características marcantes dos estados da região Centro-Oeste e que exercem forte influência no modo de vida local são a sua vegetação — o cerrado — e o relevo, marcado por planaltos.

Os mais conhecidos são o Planalto Central, em função de Brasília, e o Planalto Meridional, que vem desde a Região Sul até Mato Grosso do Sul e Goiás. A topografia é marcada pelas chapadas, terrenos com extensas superfícies planas em regiões de serras ou vastas planícies com vegetação rasteira e formações rochosas.  

As chapadas estão presentes na maior parte da região e as mais conhecidas são a Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, e a Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Todas elas abrigam belíssimos parques nacionais de preservação ecológica que merecem a sua visita.

Nosso querido Pantanal

Agora, sem dúvida, outra grande característica da região Centro-Oeste é a mundialmente conhecida Planície do Pantanal, entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Uma das maravilhas da natureza, considerada pela Unesco como Patrimônio Natural Mundial, o Pantanal, com seus cerca de 250 mil km², é a maior planície de inundação contínua do mundo (formada principalmente pelas cheias do rio Paraguay e seus afluentes). 

O Bioma Pantanal também possui uma impressionante diversidade de fauna e flora. Ao todo, são 656 espécies de aves, 122 de mamíferos, 263 de peixes, 1.132 de borboletas e 93 de répteis.

Na época das chuvas, o Pantanal brasileiro fica intransponível, mas no restante do ano, seu solo se torna um excelente pasto para o gado.

O que fazer no Centro-Oeste do Brasil?

O Pantanal é, de longe, um dos expoentes do turismo no Centro-Oeste do Brasil

No Pantanal Sul, você pode viajar no Trem do Pantanal, comprar cestaria, potes e panelas de barro no Centro Referencial da Cultura Terena e percorrer, com calma, toda a Estrada-Parque.

Outra dica é passar um dia inteiro em um hotel de ecoturismo de Aquidauana, onde ficam fazendas como Aguapé e Pequi, que oferecem aos visitantes safári fotográfico e até passeios a cavalo. Além de saborear, nos restaurantes locais, um pacu ou pintado, peixes que compõem as comidas típicas da região Centro-Oeste.

No Pantanal Norte, é possível conhecer de barco o Parque Nacional ou hospedar-se em Poconé. Aproveite para madrugar e percorrer os 145 km da Transpantaneira para ver jacarés na beira dos rios e revoadas de pássaros.

Agendando previamente, também dá para passear de barco no hotel Araras Eco Lodge. É bacana se hospedar em fazendas que, geralmente, têm pensão completa e organizam passeios. Há trilhas, safáris fotográficos, observação de aves e passeios de barco e a cavalo para você aproveitar, de verdade, todas as maravilhas da região.

Outros lugares para conhecer e se apaixonar

Além dos parques já citados, também são sugestões imperdíveis em termos de turismo no Centro-Oeste conhecer Bonito, no Mato Grosso do Sul, ou Brasília.

Bonito, a 300 km de Campo Grande, é hoje um polo de ecoturismo, com rios de águas transparentes, cachoeiras, grutas e cavernas, além de uma fauna e flora exuberantes. Na cidade, você pode visitar grutas e também tomar banho em cachoeiras e rios de águas cristalinas.

Já Brasília, nossa capital, dispensa maiores apresentações. Os belos prédios e monumentos contam um pouco mais sobre a história política do Brasil e deixam o passeio ainda mais enriquecedor. Vale a pena conhecer o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, a Catedral, o Memorial JK ou simplesmente caminhar pelo Eixo Monumental.

Enfim, este é o Centro-Oeste brasileiro. Uma região que produz e é feliz.

“UM POVO E UMA CULINÁRIA MUITO DIVERSIFICADOS”

O Atacadão tem forte presença na região Centro-Oeste, contando com muitas lojas e atacados de distribuição.

“Ou seja”, diz o Gerente Comercial do Atacadão em Várzea Grande (MT), Gilberto Jassniker (19 anos de empresa), “conhecemos bem o povo aqui, que veio de vários lugares do país e forma um mosaico importante de manifestações culturais e gastronômicas.”

Gilberto diz também que a culinária da Região tem peculiaridades em cada estado. “No Mato Grosso, come-se muito peixe, como Pacu, Pintado e Piraputanga, além de paçoca de pilão e farofa de banana. Enquanto no Mato Grosso do Sul, além dos peixes, também se consome muito caldo de Piranha e arroz carreteiro com charque”, comenta.

Outra característica que nosso Gerente Comercial faz questão de apontar “são as muitas festas regionais, como a Dança do Congo, Cururu, Siriri e a Festa São Gonçalo, no Mato Grosso, sem falar nas festas do Divino e de São Benedito no Mato Grosso do Sul”, destaca.

Já o Gerente da loja de Dourados (MS), Paulo Davi Freitas (29 anos de Atacadão e há 7 na cidade) lembra outros pontos que também caracterizam a região. “Como aqui o clima é bem quente e fazemos fronteira com o Paraguai é muito forte o hábito de consumo de bebidas específicas, como Tereré (uma espécie de mate gelado) que agrega as famílias em animadas rodas de conversa nos finais de tarde.”

Paulo Davi também fala sobre outro fator importante dos estados do Centro-Oeste: “Além disso, em razão da pecuária forte e pela influência do pessoal que veio do Rio Grande do Sul e do Paraná, além do pescado, aqui também se come muito churrasco. Sem falar na forte influência indígena que temos, pois em Dourados está a maior reserva indígena do Brasil.”

EM GOIÁS E NO DF CARACTERÍSTICAS BEM PECULIARES

De volta a Taguatinga, onde morou 28 anos, e hoje gerencia a Loja do Atacadão, Elton Ávila diz que a região de Brasília (e suas chamadas cidades satélites) também têm características muito particulares.

“No centro, temos Brasília, com uma renda per-capita mais alta e uma população majoritariamente voltada para o serviço público, vinda de todos os cantos do Brasil, mas com forte influência de São Paulo e Minas. O tradicional candango quase não existe mais e hoje já temos uma cultura brasiliense própria, mais cosmopolita, que se manifesta na gastronomia e na música”, afirma.

“E, no entorno estão várias cidades como Taguatinga, Gama, Ceilândia, Candangolândia e as mais recentes Samambaia, Recanto das Emas, São Sebastião, Vila Planalto etc, que funcionam como moradia de um povo de renda menor, que presta serviços à Brasília e onde predominam o imigrante nordestino, com forte influência de sua cultura e culinária”, Elton acrescenta.

Já Goiás”, diz o gerente do Atacadão no DF, “é um mundo à parte. Um povo, digamos, mais ‘raça pura’, que se orgulha de suas raízes e cuja cultura se manifesta de todas as formas, desde a fala peculiar até a música sertaneja. E, principalmente, na culinária, onde são tradicionais pratos como o arroz com pequi e frango, com guariroba, o tutu com linguiça, a carne seca e o peixe assado com creme de coco, entre outros.”

Outro ponto importante que ele faz questão de destacar é a “característica trabalhadora e religiosa do povo goiano, sem abrir mão de ser gente festeira. São muito famosas por aqui festas como a Procissão do Fogaréu, a Congada de Catalão, as Cavalhadas e a Festa do Divino Pai Eterno”.

Rico em história, cultura e gastronomia, o Centro-Oeste do Brasil é uma região única, realmente inigualável.

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