Festival de Parintins: garantido e caprichoso!
31/08/2022
6min
Uma das mais impressionantes manifestações folclóricas no Brasil, o Festival de Parintins (segunda maior cidade do Amazonas) ocorre anualmente desde 1965, na última semana de junho, com a disputa entre duas agremiações, a Boi Garantido e a Boi Caprichoso, num espetáculo que encanta o mundo pela beleza, pelas cores e pela música.
Quem já esteve lá não hesita em dizer que se trata de um espetáculo simplesmente imperdível. E o site do festival não deixa dúvidas: para os amazonenses trata-se do maior festival folclórico do mundo.
O começo de tudo
Para entendermos melhor o que é Parintins, é preciso saber onde tudo começa.
Tudo gira em torno da Boi-Bumbá, ou Bumba meu Boi, uma dança do folclore popular brasileiro, com personagens humanos e animais fantásticos, que gira em torno de uma lenda sobre a morte e ressurreição de um boi.
Conta a lenda que uma escrava chamada Catirina (ou Catarina), grávida, pediu certa vez ao marido Chico (ou Pai Francisco) para comer língua de boi. O escravo, para atender ao desejo da esposa, mata o boi mais bonito da fazenda e acaba sendo preso pelo patrão, o “amo”.
A história segue quando, com a ajuda dos índios e do pajé, o boi é, então, ressuscitado. A partir daí formou-se uma tradição muito forte de apresentações folclóricas sobre o tema durante os festejos juninos com a incorporação de vários personagens que cantam e dançam, “navegando” entre a sátira, a comédia, o drama e demonstrando o contraste entre a fragilidade do homem e a força bruta de um boi.
Como surgiu o Festival de Parintins?
Em 1965, surgiu o Festival Folclórico de Parintins, hoje reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil.
Em uma gigantesca arena do Centro Cultural da cidade, chamado de bumbódromo, duas agremiações folclóricas, o Boi Garantido (com vestimentas e alegorias na cor vermelha) e o Boi Caprichoso (todo em azul) se apresentam, a céu aberto, na última sexta-feira do mês de junho, disputando a honra de serem vitoriosos na disputa.
Tudo seria muito simples, se não fosse grandioso. De um lado, o azul. Do outro, o vermelho. É impossível não tomar partido.
A rivalidade é tão grande que em todos esses anos de disputa, apenas uma vez, em 1982, eles não se enfrentaram, em função de questões locais que fizeram o Boi Caprichoso desistir de participar. Houve apenas um empate.
O resultado da luta é apontado por um conjunto de seis jurados que são sorteados na véspera do Festival, entre eles estudiosos de arte, música e folclore, com a condição de virem de outros estados.
21 quesitos em jogo
Toda a Festa de Parintins é cheia de simbolismos. As apresentações englobam 21 quesitos, a maioria sem ordem predeterminada, à exceção dos três primeiros (apresentador, levantador de toadas e marujada ou batucada) e do último (encenação).
Cada Boi tem o seu próprio apresentador, que marca o centro do espetáculo conduzindo o tema com sua voz — é necessário ter afinação, dicção, timbre e técnica de canto. A apresentação é acompanhada pela toada: música trazida por um grupo de mais de 400 ritmistas.
O ritual é o auge da noite e faz referência a mitos, lendas e tradições indígenas
Entre os demais quesitos estão porta-estandarte; amo do boi; sinhazinha da fazenda; rainha do folclore; cunhã poranga; evolução; pajé; tribos indígenas; alegorias; vaqueirada; galera (torcida); coreografia e organização do conjunto folclórico.
Os dois Bois dançam e cantam por um período de duas horas e meia. As letras das canções resgatam o passado de mitos e lendas da Floresta Amazônica. Muitas das toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.
O ritual é o auge da noite e, geralmente, acontece na parte final das apresentações, fazendo referências a mitos, lendas, tradições e rituais tipicamente indígenas.
O “auto do boi” mostra, afinal, o motivo pelo qual surgiu o Festival, com a história dos escravos Francisco e Catirina, do patrão (amo), e a “evolução” é o símbolo cultural da manifestação: a chegada do Garantido e do Caprichoso.
Torcida engajada é uma das marcas do Festival de Parintins
Outra coisa muito interessante no Festival de Parintins é que a torcida dá um show à parte.
Enquanto um Boi se apresenta, sua “galera” participa com todo entusiasmo, pois seu desempenho também é julgado. E, do outro lado, a “galera” contrária não se manifesta, ficando no mais absoluto silêncio.
Um torcedor jamais fala o nome do outro Boi e usa apenas a palavra “contrário” quando quer se referir ao opositor. São proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o adversário se apresenta.
A verdade é que Parintins é um espetáculo grandioso sob todos os aspectos. Mas se você ficou com vontade de assistir, corra e garanta o quanto antes o seu ingresso, no site oficial: http://www.festivaldeparintins.com.br.
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