Diariamente acabamos sendo bombardeados por informações que vêm pela internet e redes sociais, nos deixando cada vez mais “conectados”. Com isso, qualquer um pode apresentar sua opinião a respeito de todos os assuntos. Neste universo, um dos ambientes que mais sofreram impacto foi no mundo do trabalho. Veja neste Artigo de Marcelo Rocha (gerente de treinamento do Atacadão) como o desenvolvimento tecnológico transformou rotinas, atividades e pessoas nas empresas. Saiba como identificar e manter novos talentos diante desse novo cenário.
Além da questão relativa à variedade de fontes e meios de informações, hoje todos buscam o que chamo identificação em suas relações, sejam elas profissionais ou afetivas. Ou seja, querem consumir conteúdos cada vez mais próximos de sua realidade e, em contrapartida, o conteúdo consumido também é formador de identidade.
Essas duas necessidades (influência e identificação) oferecem novos paradigmas de convivência para nossa sociedade, nela inserido, obviamente, o mundo do trabalho. A forma que as pessoas têm de se relacionar com seus superiores na escala hierárquica, com as atribuições, com a empresa, mudou: não há mais “empregados”, e sim “colaboradores”; não há mais “chefes”, e sim “líderes”; não há mais “quadro de funcionários”, e sim “família”.
Todas essas mudanças carregam não apenas uma nomenclatura diferente, mas sim uma transformação estrutural extremamente significativa na cultura e organização do trabalho. De maneira geral, percebemos que estamos abandonando um mundo “verticalmente orientado” para um mundo “horizontalmente orientado” que, em compensação, apresenta um paradigma extremamente oposto, onde:
1. Não há um padrão, mas sim múltiplos padrões. O que pode ser um caminho de crescimento para uma pessoa, pode não se aplicar para outra. A alternativa para resolver um problema pode ser inadequada para outra situação;
2. A relação hierárquica é substituída por uma colaborativa. O termo “manda quem pode e obedece quem tem juízo” tem cada vez menos adeptos. Hoje, as pessoas de uma equipe querem dar opiniões e se sentir participantes do processo decisório. O “respeito à figura do líder” não está mais ligado apenas a seu conhecimento técnico ou teórico, ou ao medo que ele proporciona, mas sim a seus posicionamentos pessoais, sua coerência e como se relaciona com a equipe.
3. O trabalho disciplinado dá lugar para o trabalho criativo. As equipes anseiam por informação e autonomia. Não querem mais esperar a ordem ou o comando, ou mesmo ter que pedir autorização para fazer algo que sabem que devem fazer.
4. O pensamento linear cede lugar ao pensamento diverso. A complexidade das situações, problemas que enfrentamos e a necessidade de soluções criativas, para buscar melhores resultados no dia a dia em um mercado tão volátil exigem diversidade. Por isso, diversidade (de gênero, de raça, de credo, de ideias, etc.) não é mais um fator que agrega apenas à imagem da empresa, e sim um diferencial competitivo.
Por esses motivos, alguém que deseja trabalhar à frente de uma equipe, deve ter a clareza de que as transformações que vivemos em nossa sociedade, causaram um impacto enorme na gestão de equipe — modelo “construção coletiva”.
Conhecimentos
Como já dito, as informações estão cada vez mais acessíveis a todos. Portanto, entenda duas coisas:
1. Não há mais lugar para aquele que diz “não ter oportunidades para saber mais sobre algo”. Hoje o conhecimento cabe no bolso (celular) e a possibilidade para acessar conteúdo pode ser feita em qualquer lugar e horário. Atualmente, existem diversas plataformas on-line que oferecem cursos gratuitos com conteúdos muito sérios e importantes para a formação.
Saber especificamente sobre liderança e ter curso de graduação é de fato importante, mas outras áreas do conhecimento também o são. Além disso, buscar conhecer melhor sobre a diversidade e a realidade vivida por pessoas diferentes de você pode ajudá-lo a ter uma postura mais empática.
2. Considere que sua equipe também tem acesso a uma rede ampla de informações. Envolva seu time na tomada de decisão; peça a opinião sobre a dinâmica do trabalho. Contar com o conhecimento de sua equipe e estimulá-la a se aperfeiçoar cada vez mais é a garantia de um ambiente mais saudável, engajado e produtivo.
Habilidades
Além das habilidades relacionadas a gestão do negócio e dos resultados, como planejamento estratégico e tático, idiomas, softwares de controle (excel, sap, save, etc.), cálculos financeiros, acompanhamento de kpis, etc.
As chamadas no mercado de “hard skills”, que mereceriam uma discussão num texto específico sobre. Por isso, é necessário destacar a importância das “soft skills”, que seriam mais bem identificadas por “habilidades de relacionamento e gerenciamento de pessoas”.
Liderança
A liderança aqui tem o papel fundamental de:
- Dar voz e ouvir sua equipe;
- Ser clara e objetiva em seus direcionamentos;
- Conhecer cada sujeito de sua equipe e entender “qual o sentido do trabalho para cada um deles”.
Essas práticas são ações que permitem, a longo prazo, o desenvolvimento de uma equipe engajada. Um conceito que pode ser importante e melhor explorado por aquele que deseja se atualizar é o da “liderança situacional”. Ações motivacionais, ainda são muito utilizadas, até podem ser práticas para um momento que exige maior atenção, mas são ações fugazes, perdendo o efeito facilmente conforme a aplicação.
Atitudes
Em um mundo tão complexo e volátil (como descrito pela perspectiva norte-americana de “mundo v.u.c.a.”), algumas atitudes são importantes para estar à frente do grupo. As primeiras que posso destacar são a “capacidade de fazer escolhas”, a “criatividade” e a “flexibilidade”, todas fundamentais para um mundo de múltiplos padrões.
Escolher envolve eleger qual a melhor alternativa “para aquele momento específico” e compreender que essa escolha feita traz consequências, visto que quando um caminho é definido, outros são colocados de lado.
Outra característica a ser destacada é a “empatia”, no sentido mais amplo que possa existir. Exercer empatia torna-se premissa básica para o líder de equipes diversas, mas não deve ser encarada apenas como um exercício “subjetivo”, símbolo de “boa intenção”. Precisa ser vista como uma “postura ativa”, ou melhor, uma “curiosidade ativa”.
Uma “postura colaborativa e inclusiva” também é uma atitude essencial para facilitar a união de pessoas, visto que o resultado de uma equipe é o resultado do líder. Não há espaço aqui para o autoritarismo, egocentrismo, intolerância ou para uma postura arrogante, preconceituosa e distante. Pelo contrário: quanto mais contribuir, incluir e colaborar com o desenvolvimento profissional de sua equipe, mais você também crescerá.
